Antes de levar o plantio direto para uma área de hortaliças, é preciso avaliar o solo e a forma de estabelecer a cultura sobre a palha. Essa é a principal questão prática das orientações de Sérgio Augusto Martins Faria, agrônomo da CATI Regional Avaré, divulgadas pela Secretaria de Agricultura de São Paulo em 4 de novembro.

O Sistema de Plantio Direto de Hortaliças, conhecido como SPDH, alterna culturas comerciais e plantas que fornecem cobertura ao terreno. A proteção vegetal ajuda a conservar umidade e favorece a infiltração da água. A presença da palha, porém, exige ajustes; não basta manter o mesmo preparo do canteiro e acrescentar resíduos por cima.

Na etapa anterior à implantação, a orientação da CATI é analisar as condições químicas do solo e verificar possíveis camadas compactadas. A necessidade de correção deve ser resolvida conforme o diagnóstico da área. Depois vem o planejamento das espécies de cobertura e de sua alternância com a produção comercial.

Para as mudas, um cuidado é evitar que fiquem encobertas pela palhada. Faria recomenda plantas um pouco maiores nessa situação. Já culturas de sementes pequenas, como a cenoura, demandam adaptação específica. A camada que protege o terreno pode se tornar um obstáculo ao estabelecimento se o método de plantio não for ajustado.

A CATI também chama a atenção para o acompanhamento de lesmas, favorecidas pelo ambiente úmido, especialmente durante a adaptação do sistema. Isso torna útil observar o canteiro após o transplantio, além de avaliar a permanência da cobertura e a evolução das plantas.

Uma indicação técnica da Epagri, de dezembro de 2021, já relacionava cobertura do solo e nutrição equilibrada à redução dos impactos de altas temperaturas nas hortaliças. A referência é usada aqui pelo conteúdo de manejo, sem reapresentar a previsão climática daquele documento como atual.

Para planejar a adoção, o produtor pode levar à assistência técnica três informações da própria área: análise do solo, cultura a implantar e material disponível para cobertura. A publicação paulista não estabelece uma porcentagem universal de economia de água. O resultado depende da implantação e das condições do cultivo; interessados em São Paulo podem procurar a Casa da Agricultura ou a CATI.