A recuperação da água no solo ainda era parcial em áreas do Matopiba na passagem de setembro para outubro, segundo análise divulgada pelo Inmet em 4 de novembro. O instituto relaciona essa condição à distribuição irregular das chuvas e às temperaturas elevadas no início da implantação da soja na região que reúne áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
Em Araguaína (TO), a média das temperaturas máximas de outubro ficou 3,2 °C acima da normal de 1991 a 2020. O número compara médias do mês: não é a temperatura do momento, a maior máxima absoluta registrada nem uma previsão para novembro.
A análise indica melhora no armazenamento de água entre setembro e outubro, com destaque para o Tocantins, mas ressalta que a recomposição permanecia limitada em parte da região. O calor aumenta a demanda hídrica do ambiente e pode reduzir a contribuição das pancadas de chuva para a recuperação da umidade.
Para a soja irrigada do oeste baiano, o Inmet recomenda acompanhar a disponibilidade de água e adequar o manejo à necessidade da cultura, especialmente na emergência e no estabelecimento. A recomendação não fornece uma lâmina única de irrigação para todas as propriedades.
O instituto também confrontou anos de El Niño com a produtividade estadual da soja na série de 1996 a 2025, usando dados da Conab. Encontrou resultados variados entre os estados e os anos. A conclusão é que a presença do fenômeno, por si só, não determina queda de rendimento no Matopiba; a distribuição das chuvas durante o ciclo tem peso na resposta da cultura.
Na propriedade, vale separar três registros: chuva recebida, umidade observada no solo e estágio da lavoura. Uma pancada e uma melhora no mapa regional não demonstram, isoladamente, que o perfil do solo esteja recomposto em cada talhão. Da mesma forma, dificuldades na emergência não permitem calcular agora a perda final da safra.
Os dados retomados aqui descrevem setembro e outubro de 2026. A evolução das condições nos próximos meses, sobretudo durante as fases reprodutivas, ainda será decisiva para o resultado da soja. A publicação é um diagnóstico agroclimático do período, sem funcionar como aviso meteorológico de curto prazo.


